Um Mundo em Perigo.

     Em 1968 o diretor Franklin J. Schaffner lançou “O Planeta dos Macacos,” que se tornou um imediato clássico da ficção-científica. Mas ele também inaugurou uma nova tendência no cinema ameircano. A partir do sucesso do original, mais quatro filmes foram realizados tendo como base a idéia original. Foi o início do que se convencionou chamar “cine-séries”. Nenhum deles teve a relevância do original, mas enquanto foram rentáveis continuaram sendo produzidos. Novas versões do tema tem sido lançadas atualmente mas nenhuma merce atenção.

      Até aquele momento somente os filmes do agente secreto James Bond haviam suplantado mais de uma sequência, mas, naquela época, ainda eram baseados nos livros originais de Ian Fleming. A tendência se solidificou e vários filmes explorando  a idéia do original foram lançados. “Tubarão“, de Steven Spielberg foi um deles e suas sequências foram desastrosas.

     Nos dias atuais este recurso tem sido explorado a exaustão e com resultados artísticos funestos. Alguns nem mesmo podem ser considerados filmes, mas uma sucessão de efeitos especiais com um remendo de trama que tenta dar algum sentido ao que é mostrado. Mas há uma excessão: os filmes derivados de “O Parque dos Dinosauros“, que Steven Spielberg dirigiu em 1993. Muito além de seus impressionantes efeitos de computação, inéditos até aquele momento, estava a história das crianças em busca de uma família, do empresário  que, no fundo, tentava reviver um sonho da infância, e o tema maior — a ganância e a ciência descontrolada. Não sem razão, entre os convidados para visitarem o parque estava um cientista autor de uma “teoria do caos”. Eram estes elementos, conduzidos pela mão de um grande cineasta que tornaram o filme um clássico. Spielberg dirigiu uma continuação, “O Mundo Perdido“, onde aproveitava para homenagear o “King Kong” original dirigido por Merian C.Cooper e Ernest B. Schoedsak, e o clássico “Hattari” de Howard Haks na magnífica sequência da caçada aos dinosauros.

 

 

     O filme seguinte não contou mais com Speilberg na direção, mas mantinha temas caros ao realizador, como a família desfeita e novamente o homem interferindo na natureza em busca de conhecimento e poder. Se não era um trabalho a altura dos dois primeiros, era um muito bom filme, com uma história para contar. Agora nos chega “Jurassic World,O Mundo Ameaçado” dirigido pelo catalão J. A. Bayona e novamente temos um muito bom filme.

     Admirador do filme de suspense e terror, Bayona imprime um ritmo que mistura a aventura ao suspense e mesmo ao terror. Em vários momentos as garras dos dinossauros são exploradas para causar ansiedade a narrativa. E em outros trechos são realizadas homenagens aos filmes que o antecederam. A primeira visão dos dinossauros herbívoros, quando o treinador e a antiga administradora chegam a ilha, repete a cena original de “O Parque dos Dinossauros“, ao enxergarem em primeiro lugar os dinossauros herbívoros, os répteis voadores lembram”Jurassic Park III” e as cenas no penhasco provêem de”O Mundo Perdido“.

     Bayona faz o personagem de  Chris Pratt comportar-se como Indiana Jones, principalmente nos momentos em que a lava encandescente o persegue, e acrescenta humor aos momentos de suspense. E há o depoimento do cientista, que abre e fecha a narrativa. É um chamado a razão que parece se perder com o avanço do conhecimento. A origem da neta do milionário é um terrível presságio de uma humanidade que se esmera em ser a artífice de sua própria destruição. A imagem do velocireptor contemplando a cidade é clara e assustadora ao mesmo tempo.

Anúncios