O que os olhos não Veem.

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     O diretor alemão Marc Forster tem feito carreira internacional, trabalhando principalmente em Hollywood e na Inglaterra. Mesmo não sendo um nome de ponta, ele tem mostrado talento em filmes como “Em Busca da Terra do Nunca” e “Guerra Mundial Z” este, uma inovação nos filmes sobre zumbis, apresentando as criaturas como monstros velozes e fatais, afastando-se das criaturas catatônicas que George Romero consagrou. Ele está de volta com um projeto onde, além da direção, ele assina o roteiro junto com Sean Conway. “Por trás dos seus Olhos” é um muito interessante filme de suspense, que trata do tema da possessão e do medo de maneira bastante particular, envolvendo o espectador sem a necessidade de sustos ou distorção da realidade. A forma como o realizador estrutura seu relato basta.

     A jovem que sofre de deficiência visual após um acidente ainda na infância é quem conduz a narrativa. É a partir do mínimo que ela enxerga que as primeiras imagens são apresentadas. E este recurso será utilizado em outros momentos da narrativa para explicar alguns acontecimentos. Forster conduz a narrativa com sutileza, insinuando mais que mostrando, fazendo a platéia participar do jogo de dominação que a personagem vivida por Blake Lively é envolvida. Sua deficiência a torna uma espécie de fetiche para o homem inseguro que, como ele mesmo confessa,”adora cuidar dela.” O aparecimento do cachorro na trama é outra mostra da fragilidade deste ser que não suporta que a esposa se preocupe com nada além dele. A recomendação  sobre o vestido que ela deve usar na recepção para a qual são convidados é outra mostra de sua fragilidade.

     Estamos frente a um tipo de psicopatia em que o mal vem do bem. A paixão pela esposa o leva ao limite da sanidade e transtorna seu comportamento. A recuperação parcial da visão é vista por ele como uma deslealdade, uma fuga para um universo onde ela foge ao seu controle. Para recuperar a situação anterior e ultrapassará todos os limites.

     Forster narra seu filme com sutileza, e nos prepara para o epílogo antecipando o que acontecerá, mesmo sem revelar o desfecho. É cinema puro. As imagens se encarregam de nos mostrar o que acontece. É na construção dos planos que o realizador estrutur o drama e o suspense de seu relato. Um trabalho a ser conferido, ainda mais nos tempos atuais, em que barulho e efeitos de computador pautam o que se vê em muitos filmes. Forster continua sendo um realizador a quem se deve prestar atenção.

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