A Hora da Verdade.

     Steven Spielberg, que iniciou sua carreira no início dos anos de 1970, com pouco mais de vinte anos, escreveu seu nome na história do cinema como o realizador que soube, como ninguém, unir as regras do espetáculo a um fazer artístico autoral. ” E.T. ,O Extraterrestre“, “O Resgate do Soldado Ryan“, “A Lista de Schindler” e “Os Caçadores da Arca Perdida” são clássicos que estabeleceram padrões em seus gêneros.  A sequência da desembarque no dia D  em Soldado Ryan é uma das mais impressionantes jamais filmadas e serviu de inspiração para cineastas como Ridley Scott na batalha inicial de “Gladiador“, e Jean-Jacques Annoud para retratar o cerco à Stalingrado em “Círculo de Fogo”. E.T. é, até o momento, o insuperável estudo sobre a solidão da infância e a reunificação da família e Caçadores é o maior filme de aventura de todos os tempos. Pois é este o cineasta que está de volta em “The Post — A Guerra Secreta“.

     A Guerra do Vietnam é o acontecimento mais trágico na história dos EUA no século XX. Responsável por mutilar quase toda uma geração, o conflito ficou como exemplo de luta sem razão e modelo do absurdo que foi a Guerra Fria, como Raymond Aron batizou  o período entre o final da Segunda Guerra e a queda do Muro de Berlim. Para os americanos foi o fim de um período de contínua prosperidade e paz social. A descoberta do que realmente acontecia no Sudeste Asiático trucidou o chamado “sonho americano,” e suas consequências se estendem até hoje. Spielberg trata da descoberta do que realmente acontecia. A revelação de documentos secretos do governo americano por parte dos jornais New York Times e The Whasington Post desmascararam o segundo governo de Richard Nixon, que viria a renunciar após o chamado escândalo Watergate.

     Spielberg volta a um dos temas caros a sua filmografia, aquele que, em nome da integridade, um grupo de indivíduos enfrenta o sistema. O drama do editor e da proprietária do jornal se misturam. Enquanto ele tenta dar uma feição nacional a um órgão, até aquele momento regional, ela tenta se firmar como empresária em um universo estritamente masculino. O filme enaltece a ética e o apego a verdade como bases do jornalismo. Como nunca em seus trabalhos, Spielberg mostra seus domínio da linguagem ciematográfica, utilizando todos os recursos da gramática das imagens para realçar o drama vividor por seus personagens. Com uma câmera móvel ele percorre a redação de um jornal como elas não mais existem. As sequência que mostram o processo de impressão utilizado naqueles tempos realçam o suspense da narrativa, mesmo que já saibamos como a história terminou. É esta a razão do diretor para se mostrar tão virtuoso nos uso dos recursos fílmicos. Criam suspense, envolvem o espectador e o fazem esquecer que o final da narrativa é conhecido.

Steven Spielberg e Martim Scorcese são os grandes representantes de sua geração ainda em atividade e produzindo obras significativas. Francis Ford Copolla e Brian de Palma se esgotaram, George Lucas se aposentou e nomes como Lawrence Kasdam não confirmaram seus começos brilhantes e se perderam no tempo. Mesmo com momentos menos inspirados em sua obra, Spielberg segue sendo um nome de peso e a garantia de um cinema voltado para o personagem e o realismo de cena. Restam poucos como ele.

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