O Homem que Enfrentou a Escuridão.

     Em 2007 o diretor Joe Wrigth realizou “Desejo e Reparação“, seu melhor trabalho até o momento. Esta adapatação de um romance de Ewan McEwan era encenada de maneira brilhante, misturando a realidade à escrita de um romance, e trilha sonora  em diversos momentos acompanhava o ruído das teclas de uma máquina de escrever. Curiosamente o filme também abordava a retirada de Dunquerque, um momento heróico para os ingleses durante a Segunda Guerra Mundial. Seus trabalhos seguintes foram irregulares e a adaptação de “Ana Karenina“, filmada em 2012 foi o mais bem logrado, ainda assim muito distante de seu melhor momento. Ele está de volta com este interessante “O Destino de uma Nação” que narra os primeiros momentos de Winston Churchill como primeiro ministro britânico no alvorecer da guerra contra o nazismo.

    Churchill  e Abraham Lincoln, são os políticos mais biografados pelo cinema. Em 1972 o ator e diretor Richard Altemborough realizou “As Garras do Leão” mostrando o jovem Churchill como soldado na Índia, então colônia britânica. Nos últimos anos ele tem aparecido em filmes de cinema e séries de televisão. Curiosamente nenhuma destas produções trata de sua situação no momento em que se torna primeiro ministro. Churchill era um político marcado por autorizar um enorme fracasso militar, a batalha de Gallípoli, onde os turcos dizimaram tropas britânicas. Sua ascenção ao poder era vista como “um sacrifício necessário”, algo passageiro que o sepultaria definitivamente. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário. Inimigo do regime de Hitler desde o início, Churchill tem seu primeiro êxito ao conseguir retirar os inglêses da praia de Dunquerque na França, onde os alemães os haviam encurralado, que foi tema do maravilhoso “Dunkirk” que Christopher Nolan lançou em 2017.

    Joe Wright realiza um trabalho interessante mas que em nada acrescenta a visões já apresentadas sobre o biografado. Há inclusive uma sequência tão falsa quanto interessante, que é a da viagem de metrô. O único momento revelador, é uma pequena passagem, em que Churchill xinga a imagem do ditador alemão chamando-o de cabo e pintor medíocre, os mesmos termos usados pela aristocracia alemã para definir um dos grandes monstros da história universal.

  Churchill era o Lord do Almirantado durante a Primeira Guerra Mundial, responsável pelo bloqueio naval à Alemanha, o qual ele extendeu, apesar dos gêrmanicos já estarem derrotados. O resultado foi um surto de fome naquele país. Mas sua coragem durante a grande guerra, enfrentando resistências internas que pregavam o armistício, é uma prova de grandeza. Seu discurso após a retirada de Danquerque é uma das grandes peças de oratória em todos os tempos.

     Gary Oldman como Churchill é mais um dos grandes trabalhos deste ator. Ele foi um trágico Sid Vicious em “Sid and Nancy” de Alex Cox, realizado em 1986, e que fazia uma verdadeira radiografia do punk rock em seus primeiros anos. Seu desempenho marcante como Drácula, em “Drácula de Bram Stocker“, o último grande filme de Francis Copolla, e seu recente George Smilley em “O Espião que Sabia Demais“, mostram seu talento superior. Justamente indicado para o Oscar, deve ser o vencedor.

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