Por uma vida menos ordinária.

     Criaturas de comportamento não convencional sempre atraíram os cineastas. O exemplo maior é o vagabundo Carlitos, criação genial de Charles Chaplin que através do humor, radiografou o mundo onde vivia e apontou para perigos imediatos  ao realizar, antes do início da II Guerra Mundial, “O Grande Ditador“. Martim Scorcese realizou uma das suas obras-primas ao filmar a vida do boxeador Jake la Motta em “O Touro Indomável“. La Motta deixava-se castigar pelos adversários antes de reagir, desafiando os oponentes ao mostrar sua capacidade de absorção de golpes.  Estes personagens marginais que provocam o mundo que os cerca, muitas vezes descobrem novos caminhos, mesmo que não sejam eles a usufruir de suas vitórias. William Marston foi um deles. Psicócologo e professor universitário, foi ele o responsável pela invenção do detector de mentiras e também o criador da “Mulher Maravilha” a célebre heroína das histórias em quadrinhos. Mas acima dessas façanhas, Marston desafiou as convenções ao viver uma relação polígma com sua esposa Elisabeth e Olive Byrne, amante de ambos.

     Em “O Professor Marston esuas Mulheres Maravilha” a diretora Angela Robinson realiza um filme dotado de correção narrativa com alguns momentos bastante inspirados para narrar a vida deste homem que viveu de acordo com suas convicções sem recuar ante as pressões que sofria. A narrativa se inicia nos anos posteriores a I Guerra Mundial, mostrando o protagonista em seus dias de professor e desenvolvendo suas teorias em cursos recém criados. Sua esposa, tão brilhante quanto ele, sofre com os preconceitos que as mulheres que trabalhavam e estudavam naquele período enfrentavam. É neste momento que conhecem Olive Byrne, uma aluna que se tornará amante de ambos para viverem um triângulo amoroso até a morte de Marston. É a partir daí que o filme alcança seus melhores momentos.

A diretora Angela Robinson conduz a narrativa com fluidez e não se deixa levar por superficialidades. Este relacionamento não convencional não se concretiza sem hesitações e questionamentos. No momento em que as personagens se entregam a ele, estão sobre o palco de um teatro vazio. Todas as dificuldades que virão já estão ali delineadas. No teatro da vida, os desafiantes estão destinados a solidão e a marginalidade.  Elisabeth Marston é uma espécie de super-ego do trio enfrentando a realidade sem fantasias. William, apesar de sua coragem, é o sonhador, o criador de uma personagem vinda de um outro mundo para consertar os desacertos da sociedade. Olive é a catalisadora destas personalidades, e quem também inspira as fantasias de ambos, como nos momentos de submissão.

“O Professor Marston e suas Mulheres” é um belo exemplo de correção narrativa e cinema feito para grandes platéias sem agredir a inteligência do espectador. Estamos frente a personagens bem estruturados e a própria narrativa, feita a partir do depoimento de um dos protagonistas a uma censora, ilustra bem o drama vivido. Efeitos humanos, muito melhores e mais duradouros que os especiais.

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