O Assassino do Gelo.

     A Literatura Policial nasceu nos Estados Unidos com a publicação de “Os Crimes da Rua Morge“, de Edgar Allan Poe em abril de 1841. Mas logo ela cruzaria o Atlântico e se estabeleceria na Inglaterra, onde encontrou cultores imediatos que deram ao gênero suas formas clássicas, culminando com a criação de Sherlock Holmes, de Arthur Conal Doyle em 1887. No início do século  XX surgiria Agatha Christie, que criaria outro personagem famoso, Hercule Poirot. Em seu país de origem o policial ganharia cultores de peso nos anos 20 e 30 com o aparecimento de Dashiel Hammet e posteriormente de Raymond Chandler, que fixaram novos rumos para o gênero, ao recheá-lo de realismo e doses de violência.

     Desde o final daquele século uma nova origem vem despontando na criação de histórias de mistério e crimes — os países nórdicos. Os nomes de maior destaque até o momento são os do sueco, recentemente falecido, Hennick Menkel, que criou o inspetor Kurt Wallander e o do norueguês Jo Nesbo, que idealizou o também inspetor Harry Holle.  A característica d e ambos os personagens é o abandono existencial e a solidão. Se os modelos clássicos de Chandler e Hammet eram amargos e cínicos, Holle e Wallander são alcoólatras com vidas pessoais destroçadas e que tem no trabalho sua única razão de viver.

     Nesbo, originalmente músico em uma banda de rock, que se tornou escritor ao ser contratado para escrever um relato sobre uma excursão do grupo, e ao invés disso escreveu um romance policial, é quem maior sucesso alcançou. Dono de uma escrita rápida e de tramas bem amarradas, ele vem produzindo com constância, e estabelecendo a mitologia de sua principal criação. Um de seus romances mais interessantes é “O Boneco de Neve“. Harry Holle sai a caça de um serial killer, investigando crimes que se iniciaram a mais de vinte anos.

     Uma das características do romance policial nórdico é a ausência de deduções espetaculares dos protagonistas, aqui substituídas por trabalho constante e realizado por uma equipe, uma lição do grande Georges Simenon, criador do mítico Comissário Maigret, o mais humano e verdadeiro detetive da história. Os investigadores modernos são, na sua maioria, integrantes de forças policiais e não mais amadores geniais do Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Harry Holle, enquanto luta para encontrar o criminoso, trava uma batalha para manter-se sóbrio e tenta reconstruir sua vida amorosa destroçada por seu trabalho.

     Não estamos frente a um escritor maior, como foi Simenon, o melhor de todos, ou como é hoje James Ellroy, que reconta a História dos Estados Unidos a partir de crimes e criminosos verdadeiros ou ficionais, mas a narrativa flui e o enrredo é muito bem construído. Nesbo espalha pistas do que está verdadeiramente acontecendo com habilidade, terminando por confundir o leitor e causar a surpresa final quando o assassino é descoberto. Alguns capítulos funcionam como pequenos contos, que se entremeiam no fluxo principal para dar realismo a trama.

     O primeiro livro de Nesbo a ser filmado foi  “Headhunters“, em 2011, dirigido por Mortem Tylum, uma história de crimes, e não um romance policial clássicos, onde o que motiva a trama é a ação do detetive. O filme era muito bem realizado e a trama engendrada com precisão. Programada para estrear em novembro, a adaptação de “Boneco de Neve” é dirigida por Thomas Alfredson, o mesmo realizador de “Deixe ela Entrar“, uma original variação do mito do vampiro, e de “O Espião que Sabia Demais“, exelente realização baseada em um dos melhores livros de Jonh le Carré. Espera-se o melhor.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Elis disse:

    Wie schön, dass du darüber geschrieben hast…Ich liebe Wallander…
    Liebe Grüsse

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