Uma Mente Perigosa.

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O diretor M. Nigth Shyamalan, estreou no cinema em 1999 com uma obra-prima, “O Sexto Sentido“, feito que jamais conseguiu igualar, embora tenha realizado filmes de qualidade como”Corpo Fechado“, “A Vila“e “Sinais“. Sua carreira oscilou e chegou-se a pensar que ele estava esgotado. Mas Shyamalan retonou em 2015 com “A Visita“, um filme de baixo orçamento que ele autofinanciou para garantir total controle da produção. O resultado artístico foi positivo. As virtudes básicas do seu fazer cinematográfico estavam preservadas. A ambiguidade de personagens e situações, o suspense a partir de ambientações e acontecimentos aparente banais, levavam a um final surpreendente. Não era a obra-prima que o elevaria novamente ao grupo seleto dos grandes criadores, mas era um filme de qualidade.
Utilizando-se do mesmo esquema de produção ele retorna com “Fragmentado“, um avanço em relação ao trabalho anterior. A narrativa do sequestro de três jovens por um homem que sofre de um raro distúrbio de personalidade é narrada em tom de constante suspense e uma admirável economia de meios. Os efeitos especiais quase inexistem, os cenários são mínimos e a violência gráfica, recurso das produções de carregação, foram banidos. O suspense deriva da encenação e da estrutura dramática.
O homem atormentado por várias personalidades abriga lembranças sombrias da infância e sua visão de mundo o impele a ações violentadas contra aqueles que ele julga que jamais sofreram. Dependente da psicóloga que o trata, ele reccorre a constantes sessões extras, numa tentativa de deter o nascimento do que ele chama de “a fera”, demonstração de seus desejos mais violentos, uma espécie de sublimação da sexualidade. Shyamalan cria um contraponto com o sequestrador na figura de uma das raptadas, ela também vítima de violência.

O realizador alterna o presente da jovem com imagens do seu passado para revelar os motivos de seu comportamento arredio e agressivo. A transformação física que vemos é mostrada de maneira ambígua, a partir da visão traumatizada da jovem. Nas sequências finais, é a presa, e não o predador, que a jaula encarcera, e são as marcas de violência que salvam. Há a redenção no gesto de violência, agora para salvar a vida, o resgate da ação que a criança não foi capaz de concretizar. O olhar que a jovem dirige a policial quando, depois de regastada aguarda dentro da viatura, prenuncia um novo disparo, desta vez verbal, que a encaminhará para a liberdade.
Uma demonstracão de talento e habilidade,”Fragmentado” extraí do ator James Mcvoy seu melhor desempenho até o momento. Suas transformações faciais para interpretar as distintas personalidades que habitam seu personagens impressionam. A cada momento vemos alguém distinto, tanto emocional quanato fisicamente.

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