A Revolta do Homem Comum.

em

O diretor Olivier Hirschbiegel tornou-se mundialmente conhecido quando seu filme, “A Queda“, sobre os últimos dias de Hitler, percorreu os principais circuitos exibidores. Indicado ao Oscar de produção estrangeira, o trabalho o levou a Hollywood, onde, se não de decepcionou, não realizou nenhum trabalho tão bem sucedido. De volta a Alemanha, ele retoma o vigor com este “13 Minutos“, focalizando a vida das pessoas comuns durante a ascenção do nacional-socialismo, para destruir mitos como “a recuperação econômica sob o nazismo”. O cenário é angustiante, tamanha a falta de esperança que revela. A resistência ao ideário de Hitler é quase nula e o medo torna quase todos colaboracionistas. O grupo reunido para apreciar a degradação da jovem que tem um namorado judeu estampa bem o ambiente e como quase todos se comportam nele.
Georg Elsner é um pequeno operário que decide matar Hitler um pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Baseado em fatos reais, o trabalho reconstitui o cotidiano deste homem revoltado, alterando flasches da prisão de Elsener e de seus interrogatórios, repletos de sessões de tortura. E é neste foramto que reside um dos maiores méritos do relato. Elsner é uma pessoa distante, que hesita em entregar-se a relacionamentos duradouros. Este solitário encontra comapanhia na música e nos trabalhos manuais que realiza comprecisão. Inteligente, é capaz de executar as funções de relojoeiro, marcineiro e soldador com igual perícia. Sua revolta contra o regime tem por base o que vê acontecer com seus amigos que integram partidos de esquerda, e a ascenção do marido da mulher que ama, que aderece a nova ordem. E há também as ironias, como o destino do oficial vivido por Burghart Klaussner, que é uma espécie de Elsner tardio.

Este solitário não se engaja a partidos. Age por conta, e prepara seu atentado com a precisão que executa seus trabalhos. Mas a ingenuidade de uma ação e a fatalidade da História atrapalham seus planos, e fazem o governo Hitlerista responder com a violência costumeira. Megalomaníaco, o ditador não concebe que uma ação isolada foi responsável pelo atentado. Os interrogatórios se sucedem enquanto a guerra progride, primeiro devastando os países invadidos, e ao seu final, como mostra a seqüência passada no campo de concentração, trazendo a ruína para a Alemanha. Novamente quem sofre é o homem comum. Os antigos medíocres, agora ocupam posições graduadas, os lúcidos, ainda que tardios, são enforcados, e este herói de primeira hora, mostra-se até o final talentoso e capaz de se encantar com a arte, ainda que amargurado e derrotado.
13 Minutos” não é um relato de guerra clássico. Ele se dedica a ilustrar os efeitos dos conflitos sobre aqueles que, segundo Osvald Spengler, “sofrem a História”, e desmitifcar ilações que tentaram se tornar fatos históricos. A ironia que os letreiros finais descrevem é triste, por marcar as desventuras que cercaram este pequeno homem que, por apenas 13 minutos de atraso, deixou de mudar a História do século XX.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s