De Volta às Pradarias

Em 1954 o diretor japonês Akira Kurosawa realizou “Os Sete Samurais“, filme que maravilhou o mundo ao trazer para aquele gênero elementos do western americano. Seus compatriotas o criticaram por sua influência ocidental, mas o tempo se encarregou de provar que ele estava certo. Em 1960 Hollywood adaptou a obra de Kurosawa, levando a ação para o velho oeste e criando um outro clássico,”Sete Homens e um Destino“. A direção foi entregue a John Stuerges, um dos grandes artistas do gênero, e Yul Brinner, no papel principal, criou um personagem clássico, vestido todo de negro, que juntava os pistoleiros para defender a pequena vila mexicana saqueada periodicamente por um bando de criminosos. O filme permanece até hoje como uma obra de imenso valor. Nele, os valores do homem comum eram enaltecidos, na figura do personagem vivido por Charles Bronson, idolatrado por um grupo de crianças, e que, no momento da morte, diz a eles que o verdadeiro heroísmo é praticado por seus pais, na luta do cotidiano. Cinema humanista, herdado do grande John Ford, o “Homero do Oeste”.
Passaram-se mais de cinqüenta anos e o cinema americano volta ao tema com uma releitura do clássico que mantém o título original, mas atualiza a perspectiva da narração. O diretor Antoine Fuqua é talentoso mas nem de longe se aproxima de Sturges, mestre do filme de ação, principalemnte dos westerns. O salutar é que o realizador aplica as lições dos grandes cultores do gênero. Estão de volta os grandes espaços, a gruas que revelam as paisagens a medida que a câmera sobe e o cenário se descortina para mostrar o cavaleiro solitário, cujo destino é vagar e impor a justiça. O herói puro, que esconde um segredo e faz de suas andanças uma forma de acalmar a dor de uma ferida secreta.
Há momentos preciosos nesta nova versão de “Sete Homens e um Destino“. A recolocação do sino, que lembra “Rio Bravo” de Howard Hanks, o índio que se move quase como um fantasma, menção a “A Noite da Emboscada” de Robert Mulligan, western que incorporava os elementos do filme de terror. A batalha final, é emocionante e redentora, com gestos de sacrifício e superação.

Não estamos frente a um filme político. O fato do vilão ser um grande proprietário de terras esteve presente em vários exemplares do gênero, e é o mote de “Os Brutos também Amam“, de George Stevens, um dos monumentos da sétima arte. Ele mesmo declara que, “não usa sutilezas como os Rockfeller ou os Wanderbirds para alcançar seus objetivos. Simplesmente toma o que deseja.” Não estamos frente a um capitalista clássico e sim perante um sádico. Não há qualidade nesta figura. Não é mais a ganância que o move, e sim o prazer que encontra na crueldade e na opressão. O duelo final, passado frente à uma igreja é significativo, e o final, quando a vingança se completa, deixa claro a erradicação de um mal e um renascimento, quando as crianças desfilam ante a câmera e contemplam os heróis que se afastam. Já não são mais necessários. O cotidiano não tem lugar para eles. Resta-lhes um túmulo ou a cavalgada sem destino.
Mesmo sendo nos dias de hoje um gênero quase bissexto, o western segue fascinante. Esta versão de “Sete Homens e um Destino” não alcança a grandeza do original, mas merece ser vista. O grande André Bazin escreveu que o “western é o cinema americano por excelência” e o tempo tem ratificado sua afirmação. Basta assistir o filme em cartaz. Não se trata de um western puro, como os de Jonh Ford ou Anthony Mann, mas segue a trilha aberta pelos grandes. Mesmo não possuindo a estatura dos mestres, tem a emoção, marca do verdadeiro artista.

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