O Castigo dos Predadores.

O diretor Ron Howard iniciou sua carreira como ator mirim no final dos anos de 1960 e atingiu o ápice ao interpretar um dos protagonistas do clássico de George Lucas “Loucuras de Verão” em 1975. No ano seguinte participou do elenco de “O Último Pistoleiro” de Don Siegel, que marcou a despedida de John Wayne das telas. Na década de 80 passou a direção e realizou uma série de sucessos comerciais. Mesmo trabalhando como diretor contratado, Howard foi imprimindo sua marcas nos filmes que realizava. A partir de 1990 começa a chamar a atenção com filmes como”Apollo 13“,”O Jornal” e “O Preço de Um Resgate“. Em 2001 recebe o Oscar de direção por “Uma Mente Brilhante“. É onde inicia seu melhor período até o momento.
O western “Desaparecidas” é um belo filme, que mistura elementos do suspense ao relato clássico de perseguição do gênero, enquanto mostra a reconciliação entre pai e filha. “A Luta pel Esperança” é um pungente drama passado no mundo do box narrando a história do boxeador Jim Braddock, que após perder o dinheiro e a habilidade para lutar, volta aos ringues para vencer novamente. O filme é um hino a dignidade e a honra, repleto de seqüências antológicas, como aquela em que o antigo campeão se obriga a pedir esmolas. Ele ainda assinaria as adaptações dos romences de Dan Brown paraa o cinema, mas voltaria a sua veia autoral com “Rush-No Limite da Emoção“, novamente baseado em fatos reais, as disputas entre James Hunt e Nikki Lauda, no universo da Fórmula Um dos anos de 1970. Outra história de desafio e superação que rende um exelente filme. Agora Howard volta com mais um trabalho marcante.

O ataque da baleia.
O ataque da baleia.

No Coração do Mar” baseia-se em um livro de Nathaniel Philbrick que teriam inspirado Herman Melville a escrever o clássico “Moby Dick“. Howard tinha uma sombra poderosa sobre seu projeto, a adaptação do livro realizada por John Huston em 1957 com roteiro de Ray Bradbury. Mas ele aborda a narrativa sobre outros aspectos. Não há Ahab em busca de sua louca vingança nem o aspecto fantasmagórico da baleia, que já foi comparada a fúria divina por leitores ilustres como Harold Blum. Howard encena outra história de redenção. Na verdade três. A do imediato que sonha tornar-se capitão, e assim apagar a herança vergonhosa deixada pelo pai, a do capitão que tenta alcançar por méritos o que recebeu por berço e a do menino, que agora envelhecido, segue assombrado pela macabra jornada. E enquanto os dois primeiros lutam fisicamente para alcançar seu objetivo, o último alcança a catarse pela palavra, enquanto narra para o jovem Melville os fatos que ainda hoje o perseguem.
Entre eles, surge a figura da baleia branca, um macho vingativo que se revolta com a violência humana e exerce também ele seu poder de destruição. Este embate rende um filme em muitos momentos poderoso, repleto daquela dignidade que o grande John Ford sabia impor aos seus personagens. A destruição do Essex pela baleia é antológica, como também é a última aparição da criatura marinha, quando animal e homem se contemplam com um misto de ameaça e respeito. A dolorosa peregrinação dos náufragos, suas perdas e conquistas estão colocadas com veracidade, mostrando os momentos cruciais quase com a frieza que aquelas criaturas desesperadas demonstram enfrentar a luta pela sobrevivência.
O epílogo é um hino a dignidade e a um tema tão caro ao grande cinema americano(hoje, na maioria dos casos, infelizmente afogado na mediocridade de filmes caça-níqueis), o da segunda chance. Howard mostra como a técnica, se utilizada como elemento de apoio a dramaticidade, enriquece um relato cinematográfico. Nunca o mar foi tão real, tão assustador, tão fascinante. Ele permanece em nossos corações ao final das imagens. Cinema puro.

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