Os Quatro Amigos.

É tamanha a vitalidade do atual cinema argentino que só encontra comparação com o período dourado do cinema italiano, que vai dos anos 50 ao final dos 70 do século passado. Nesta época pontoficavam os nomes de Fellini, Rosellini,Antonioni, De Sica e Visconti. Cineastas do quilate de Dino Risi, Mauro Bolognini, Elio Petri, Valério Zurlini e Ettore Scola faziam parte de uma espécie de “segundo time”. Na atual cinematografia do prata os nomes de maior destaque são os de Juan José Campanella, Pablo Trapero (cujo novo trabalho, o impressionante “El Clan” deve estrar nas primeiras semanas de dezembro), Leticia Martel, Daniel Burman, Carlos Sorin e Daniel Zsifrón. Há também diretores veteranos em atividade, como os grandes Eliseo Subiela, Marcelo Piñero e Adolfo Aristarain. Junto com eles, cineastas talentosos como Luiza Puenzo, Santiago Carlos Oves, Paula Hernandez e Adrián Caetano figuram com destaque, mas sem o prestígio do primeiro grupo. Nele também se pode incluir o nome de Juan Tartatuto.
Os argentinos dominam um gênero onde os italianos pontificaram no passado: a comédia dramática. Suas histórias são cotidianas, as tramas simples, mas de personagens sólidos, calcados em um rigoroso realismo cênico. Seus roteiros são exemplares e amparam a realização de maneira fundamental. “Papéis ao Vento” o mais recente trabalho de Tartatuto exibe todas estas qualidades e nos oferece um filme que assistimos com emoção e prazer. Uma espécie de hino a amizade, ostenta todas as virtudes do cinema de qualidade.

"Papéis ao Vento". Nova mostra da força do atual cinema argentino.
“Papéis ao Vento”. Nova mostra da força do atual cinema argentino.
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Estes amigos, empenhados em garantir o futuro da filha do companheiro falecido, fazem parte daqueles “pequenos grande personagens” dos quais a comédia dramática é pródiga. Somentao final perceberemos a engenhosidade da forma escolhida por Tartatuto, que nos emociona e faz rir enquanto monta seu painel sobre a lealdade e o verdadeiro amor entre os seres humanos.
Como sempre, os atores são soberbos, sobretudo Diego Peretti, que interpreta o professor, e o mais empenhado dentre todos em fechar o negócio que garantirá o futuro da sobrinha. O irmão falecido, que foi um astro do clube Independiente, aparece em lembranças e antigas fitas de videocassete, onde suas jogadas e gols representam a realização dos sonhos juveis de todos eles. Há seqüências marcantes, como o reencontro no estádio de futebol, ou a insônia do advogado que será responsável pela reviravolta final.
Tartatuto confirma neste “Papéis ao Vento” as qualidades de seus trabalhos anteriores “Não sou eu, é Você” e “Um Namorado da Minha Mulher“. Permanece inétido entre nós seu filme anterior, o elogiado “La Reconstrución“. Ao final do trabalho em cartaz, epílogo e prólogo se unem e uma descoberta é feita pelos olhos da criança. As imagens finais mostram os papéis jogados pela torcida à entrada do time em campo. Eles são os somhos dos personagens e também os nossos; jogados ao vento, flutuando no ar sem que possamos influir em seu destino.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Elis disse:

    Es ist immer gut zu lesen, was du so schön schreibst :)!!
    LG

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