Os Fantasmas da Mente.

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O diretor de cinema britânico Jack Clayton (1921-1995) é hoje um nome praticamente esquecido. Mas ele nos legou no mínimo uma grande obra. “Os Inocentes” baseado no romance ” Outra Volta do Parafuso,” de Henry James.  Realizado em 1961, o filme teve suas qualidades reforçadas com o passar dos anos. Nestes tempos em que o cinema de terror vive de violência e sustos baratos, rever o trabalho de Clayton remasterizado para o DVD nos remete a uma época que parece perdida, onde a sutileza e o clima se encarregavam de pavimentar o caminho para o medo. Com seu formato de CINEMASCOPE preservado, brilha ainda mais a fotografia em preto e branco de Freddie Francis.

 

Deborah kerr  em " Os Inocentes".
Deborah kerr em ” Os Inocentes”.

 

Jack Clayton participou de um movimento renovador do cinema inglês no final da década de 1950 início de 60, que fez também surgir nomes como o de Jonh Schlesinger, que depois faria longa carreira no cinema americano. Aqui, ele mergulha no universo de uma mulher de meia idade que é contratada como governanta em uma mansão no interior  para ocupar-se principalmente da educação de um casal de orfãos. Mas o lugar que ela encontra é tão belo quanto sinistro. Logo ela ficará sabendo do  relacionamento entre sua predecessora e o antigo jardineiro, que morreram de forma violenta. Aos poucos o comportamento das crianças, de expontâneo torna-se cruel e as belezas do lago e da torre viram o abrigo de fantasmas.

Para orquestrar este clima opressor, Clayton utliza uma mobilidade de câmera prodigiosa para a época. Ainda estávamos distante dos dias do “steady-cam”, que  Kubrick utilizaria de forma genial em seu “O Iluminado“. Os movimento eram feitos sobre trilhos ou com a câmara na mão.  Pois o diretor e o seu fotógrafo acompanham as andanças da personagem vivida por Débora Kerr pela  mansão e seus parques, nos passeios ao longo do lago, que de bucólino torna-se um abrigo de mosnstros. E tudo isso é conseguido sem um distorcimento da realidade, sem um efeito especial ou a presença de uma figura caracterizada.

O clímax lembra uma sessão de análise, quando o paciente deve revivier o trauma para livrar-se dele. Mas a surpresa vem do custo deste desafio, desta revolta contra os demônios internos que podem tão bem ser apenas fantasias ou  criaturas infernais. O filme parece nos dizer que a diferença entre eles é somente a dimensão que lhes permitimos atingir.

Representante de um cinema maior “Os Inocentes” ultrapassa os anos não somente como brilhante representante de um gênero, mas como exemplo de feitura. Entre seus roteiristas está Truman Capote. Sem dúvida poucos conheciam melhor as faces que o mal pode assumir que o autor de “A Sangue Frio” que transformou em arte um momento de brutalidade. Aqui os fantasmas parecem projeções de sonhos frustados ou desejos reprimidos. Na realidade, eles são simplesmente bestiais.

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