Para sempre Young.

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O tempo costuma ser cruel para os músicos populares. Poucos  seguem produzindo e raros mantém a qualidade. Neil Young é um destes.  Ao longo de quase cinqüenta anos ele tem produzido música com qualidade e constância, jamais se limitando a reciclar seus clássicos ou repetir fórmulas. Seu mais recente disco ” Storytone” é prova disso. Acompanhado por uma orquestra ele viaja do rock ao country music flertando com o blues e até mesmo com o jazz. Tudo isso com sua marca única, propondo soluções simples e criativas.

 

O disco abre com “Plastic Flowers” e marca o tom de todas as outras músicas. Estamos frente a um manifesto ecológico, um protesto melancólico contra a devastação da Natureza. A música a seguir “Who’s Gonna Stand Up” é um clássico imediato. Construída como se fosse uma fuga, com uma letra desafiadora e ao mesmo tempo melacólica, lembra “The Needle and the Damage Done“, uma das mais belas composições do músico. Já ” I Wanto to Drive my Car” é um rock sincopado com letra e refrão cheios de ironia. Em ” Say Hello to Chicago” ele flerta com o jazz utilizando o naipe de metais da orquestra como suporte sua voz voz melodiosa e ao mesmo tempo potente.

A segunda parte do disco é dedicada a canções românticas  como a bela ” I’m Glad  I find You”  e ” When I Watch You Sleeping” para fechar com a nostálgica “All Those Dreams“. Em todas elas nota-se a força criativa do compositor que não parece sentir o peso dos anos. Próximo de completar 70 anos e sobrevivente de um derrame cerebral, Neil Young segue com um dos grandes nomes da música popular em atividade, capaz de surprender a cada novo trabalho, e ainda descobrindo caminhos  não trilhados por outros músicos.

A lamentar somente que seus discos não chegam mais em edições nacionais. O suporte físico para a música se torna cada vez mais raro, o que retira o sentimento de colecionar que comprar discos proporciona. Mas nada disso é capaz de suprimir a emoção que ouvir a”Storytone” proporciona. Young é o exemplo vivo do que ele mesmo declarou em seu clássico “Hey,hey my,my“. Enquanto ele estiver por aqui, o rock nunca vai morrer.

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