Romance Policial Brasileiro – I.

O romance policial brasileiro, segundo Paulo de Medeiros e Albuquerque em seu precioso e, infelizmente esgotado, ” O Mundo Emocionante do Romance Policial”( Francisco Alves Editora, 1979), nasceu, assim como seu fundador, “Os Crimes da Rua Morgue” em 1841, como folhetim. Em 20 de março de 1920, o jornal, A Folha, do Rio de Janeiro, publicava o primeiro capítulo de ” O Mistério” , escrito por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Correia e “&”(pseudônimo de Medeiros e Albuquerque). Cada autor escrevia um capítulo que era publicado de segunda a quarta-feira. “&”dera o mote para que os outros autores o desenvolvessem. Foi um fato inusitado pois os escritores eram nomes respeitados mas sem nenhuma tradição no gênero. ” O Mistério” teve um total de 47 capítulos. A narrativa foi depois lancada em livro. Em 1928 já havia alcançado três edições e vendido 10.000 e emplares. Números que até hoje lhe garantem o título o título de best-seller.

 

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O Mistério” seguia os modelos clássicos e previlegiava a solução do crime, escamoteando pistas e ludibriando o leitor com várias possibilidades e informações. O livro é hoje uma raridade bibliográfica e nunca mais foi reeditado. Entre seus autores o único que seguiu cultivando o gênero foi Medeiros de Albuquerque que, entre outros, publicou um livro de contos muito elogiado, ” Se eu fosse Sherlock Holmes” em 1932. Novamente trata-se de uma raridade nunca mais publicada. Mas somente na metade da década de 1930 surgiu o primeiro escritor braisleiro genuinamente polical, Ronnie Wells, pseudônimo de Jeronimo Monteiro que criou o detetive Dick Peter. O personagem foi inicialmente criado para uma série raiofônica. Após três anos de sucesso, o personagem foi levado para o livro.  Ele publicou cerca de 10 títulos ao longo de quase uma década.  O passo seguinte foi dado por outro ecritor de novelas de rádio, Aníbal Costa. Em 1940 ele lançou o detetive Alberto Ricardo. Este nasceu nos livros e foi posteriormente levado ao rádio com enorme sucesso. Mas o detetive genuinamente brasileiro nasceu em 1940 em São Paulo.

Neste ano Luis Lopes Coelho criou o Doutor Leite, e assentou algumas características que se aproximavam do romance policial ameicano, mais voltado as ruas a violência. Ainda ssim, estávamos distantes de um modelo próprio. Nenhum grande nome da literatura nacional era um genuíno autor de histórias policias. O Brasil precisaria esperar mais de 25 anos até o aparecimento de Rubem Fonseca, que imporia o gênero no país com seu talento superior.

Os problemas eram uma linguagem adecuada e o ambiente a ser explorado. Como os modelos estrangeiros cultivavam uma realidade própria, o romance policial brasileiro preferia imitá-los, o que muitas vezes dava as narrativas um tom não intencional de paródia. Curiosamente o caminho foi aberto não pela literatura, mas sim pelo cinema. Em 1960 Roberto Farias lançou ” Cidade Ameaçada” e abriu o caminho para o policial brasileiro. Estavam assentadas as bases do “filme de bandido”, que seria uma das vertentes mais bem sucedidas do cienema nacional. Em 1962 Farias lançou o clássico ” O Assalto ao Trem Pagador” e solidificou um camimnho.  Crimes cotidianos,  os desníveis sociais, e o drama dos criminosos que viam na contavenção a única saída.

Estava sedimentado o terreno para o sugimento de Mandraque, exepcional criação de Rubem Fonseca, o maior escritor brasileiro surgido na segunda metade do século,passado. Nascido no conto, Mandrque tem seu ápice como personagem na obra-prima ” A Grande Arte“. Assim como o cinema de Farias, Rubem Fonseca cria uma narrativa bruta, tanto no estilo quanto na ambientação e a partir deste modelo, influenciará não somente o gênero policial, do qual é o legítimo fundador, mas a maioria dos escritores surgidos após sua estréia. Ninguém passaria incólume a livros como ” O Caso Morel” ( seu primeiro romance) ou aos contos de ” O Cobrador” ou ” Lúcia MCartney“. Estava fundado o gênero. Os desdobramentos vão até os dias de hoje, como veremos nos próximos posts.

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