O Perseguidor Implacável.

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Histórias sobre criminosos são uma variante do romance policial. Talvez o maior escritor deste tipo de narrativa tenha sido o americano Jim Thompson. Livros como ” O Assassino dentro de Mim” e “Pop 1280” são clássicos do gênero e demonstram a força da literatura de Thompson, um dos tantos malditos que esta escola concebeu e que, ao morrer, tinha as edições de suas obras esgotadas. Foi redescoberto pelos franceses anos depois e só então teve sua escrita devidamente valorizada. Para que se tenha uma idéia do seu valor, Thompson assinou os roteiros dos dois primeiros filmes de Stanley Kubrick.
Safári“, de Luis Dill investe nesta vertente. Seu criminoso é um advogado que se dedica a eliminar habitantes de uma vila que ele avista da sala do prédio onde trabalha. Assim como Thompson, Dill compõe um personagem quase banal em sua monstuosidade. Seu raciocínio é lógico e ele não vê crueldade em suas ações. As lembranças da infância, como os trechos dedicados ao cachorro Coringa não servem para explicar o homem que ele se tornou e sim reforçam sua assustadora personalidade. Como se o autor afirmasse que o mal já nasce feito. Para suas ações não há limites, nem é necessário justificativas. As inserções que o autor faz dos relatos jornalísticos são apenas contrapontos para que o personagem principal demonstre sua lógica insana.
Dill reforça a veracidade de sua narrativa construindo personagens coadjuvantes preciosos como o detetive Reinaldo Querubim, uma homenagem ao personagem Columbo, interpretado pelo ator Peter Falk durante muitos anos em um clássico seriado de televisão, ou a advogada Hortência Lenzi, cuja paixão pelo personagem principal lhe custará caro.

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Não estamos frente a um mistério. Desde as primeiras páginas sabemos os desígnios de todos os envolvidos na trama. As ações do policial, sua certeza sobre quem é o responsável pelas mortes esbarram na frieza do personagem principal. Mas o autor guarda ao menos uma surpresa na personagem do advogado paraplégico Geraldo Delvecchio. Ele é decisivo para o desenrolar da narrativa. Mesmo conhecendo sua história, sua participação na trama é um dos achados do livro.
Embalado em uma escrita clara mas numa forma a princípio complexa, ” Safári” é uma leitura envolvente. Seu final surpreendente fecha a história com perfeição. Escritor tarimbado, Dill reserva o melhor para as últimas linhas, reforçando o impacto da trama. Conhecer Murilo Marques, o atirador solitário reserva surpresas e agradáveis momentos de leitura.

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