Uma Estranha Fábula.

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O diretor Wes Anderson vem construindo uma carreira peculiar no atual cinema americano. Seus filmes de construção particular e com personagens estranhos, criaram um estilo próprio, e o tom de tragicomédia tem lhe rendido um público fiel, além do reconhecimento da crítica. Seu mais recente trabalho “O Grande Hotel Budapeste“, agora em cartaz, reforça suas qualidades mesmo não sendo seu melhor trabalho, que até o momento é “Viagem a Darjeling”. Mesmo assim a narrativa é repleta de virtudes e exala a lirismo e a ternura que permeia seus cinema. Aqui ele narra a amizade entre o recepcionista de um hotel de luxo europeu no período que antecede a Primeira Guerra Mundial e seu aprendiz de camareiro.
Não é sem razão que o imigrante não possui família e tem o nome de Zero. Esta criatura perdida é imediatamente adotada por outro solitário, Monsieur Gustave(vivido com o brilho habitual por Ralph Fiennes), um outro solitário, que esconde atrás do rigor com que encara sua profissão, enormes carências. Este homem de convicções aparentemente inabaláveis tem como companhia mulheres já octogenárias que se hospedam no luxuoso hotel sabedoras que merecerão todas as suas atenções. E é justamente um destes relacionamentos que dispara a trama e envolve os personagens principais numa aventura quase surreal.

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Wes Anderson constrói um universo próprio e seus personagens em alguns momentos beiram a caricatura, tamanho o exagero de algumas representações. O que os resgata é o humanismo do diretor que extrai ternura de suas ações, tornando momentos que soariam esquemáticos em instantes profundamente humanos. Seu universo é real, seus habitantes são verdadeiros, mas sua encenação é original. Se Gustav consola Zero, busca amparo em suas hóspedes mais velhas para seguir interpretando seu papel de homem seguro. As seqüências passadas no trem, quando a polícia de fronteira exige a documentação do jovem imigrante deixam claras as posições de ambos.
O realizador conta sua história através dos olhos de um escritor que em uma de suas ficções utilizou estes personagens que conheceu na juventude. A esta narrativa, soma-se a visão de um dos protagonistas, agora envelhecido, que também pertence ao passado do escritor. Ao final, quando a porta do elevador se fecha, é como se concluíssemos a leitura de um livro e finalmente o fechássemos. Uma história de amizade e fidelidade, onde uma ética toda particular é o mais importante, o filme reafirma o talento e a singularidade do cinema de Wes Anderson, um nome a ser seguido cada vez com mais atenção.

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