Almas Mortas.

Ridley Scott possui três filmes admiráveis em currículo como diretor de cinema: sua estréia em “Os Duelistas”(1977), “Alien, o Oitavo Passageiro”(1979) e “Blade Runner, o Caçador de Andróides”(1982). Apesar de jamais ter reprisado os acertos destes trabalhos iniciais ele ainda dirigiu ” Telma e Louise” (1991), “Gladiador” (2000) um de seus maiores sucessos e “Falcão Negro em Perigo” (2001). Sem jamais ter tido um deslize mais sério, Scott não cumpriu as promessas de seu início de carreira. Este ” O Advogado do Crime” agora em cartaz, é mais um de seus filmes intermediários. Longe de ser dessinteressante, ele não cumpre suas promessas, perdendo-se em um roteiro que se esquece que o motor de um filme é a imagem, o plano, e não os diálogos. E muitas vezes são as palavras que explicam as situações ao invés de suas seqüências. Momentos como o dos leopardos caçando os coelhos, que desnudam a personagem vivida por Cameron Diaz, ou a cena na qual o Avogado(Michael Fassbender) recebe o Dvd e se dá conta de todo o horror que ele contém, são raros no filme.
O roteiro escrito por Cormak McCarthy, romancista consagrado, esbarra na sua estrutura literária, trancando a narrativa em vários momentos o que rompe o suspense que a trama habilmente cria. Recursos que funcionam a perfeição na literatura não servem no cinema. Relações subentendidas, movimentos apenas sugeridos em diálogos não tem o mesmo efeito na tela. O mesmo vale para o enigmático personagem vivido por Brad Pitt, que fica perdido na trama, recitando frases de efeito para reforçar sua moral dúbia e seu cinismo.

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O personagem principal( que não tem nome, outro “truque” literário) é um misto de ingenuidade e ambição envolvido por um universo que é incapaz de compreender. Ao lado de um traficante que também se revela ingênuo ao longo da narrativa, ele se envolve na venda de drogas e termina vítima de um golpe. O que poderia ser uma trama envolvente fica obscurecido por fatos e personagens que surgem em determinado momento para justificar as falhas do roteiro por demais obscuro. Se ao final há uma revelação, o desenvolver da narrativa trunca o suspense e a empatia que os personagens poderiam inspirar.
Mas este é um filme de Ridley Scott, e as virtudes básicas de seu cinema estão ali: Atores bem dirigidos, belas imagens, o emprego correto da trilha sonora e a dramaticidade exata nos momentos de tensão. A impressão que o resultado final nos deixa é que estamos em frente a um trabalho de McCarthy (também produtor do longa), que contratou Scott para dirigi-lo segunda suas instruções. O que é uma pena pois tanto elenco, quanto o roteirista e o diretor, poderiam ter ido mais longe neste filme escravo de seu roteiro e seus diálogos.

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