Anotações sobre um livro que não li.

Sucesso mesmo antes de ser lançado,”Inferno”é o novo livro de Dan Brown, mais uma vez estrelado por Robert Langdom, o simbologista-herói sempre envolvido em tramas mirabolantes e segredos ancestrais. Não li “Inferno” e nem pretendo fazê-lo. Li “O Código Da Vinci” e não tive vontade de conhecer outros títulos de Brown. Nenhum preconceito contra os best-sellers. Leio e admiro Stephen King, o mais perene best-seller dos tempos modernos. O que me afasta de Brown é o que me une a King: a escrita verdadeira. Enquanto King desenvolveu um estilo, Brown gerou uma fórmula.
Langdom é assexuado, não hesita, não sente medo, faz sempre a coisa certa. Suas deduções são precisas e não há espaço para enganos. As tramas só não se encerram rapidamente porque são muito intrincadas. Brown tem um ídolo inconfesso: Umberto Eco. Não é de graça que Lagdon é semiólogo. Mas Brown não possui a erudição do italiano e mesmo que Eco seja um escritor frio, que nos fascina pela elaboração e conhecimento e não pela humanidade de seus personagens,o americano gera criaturas planas, que estão ali para cumprirem funções na trama. O Mestre, em o “O Código da Vinci” é um exemplo. Apesar de todos os seus crimes ele não exala maldade, não exibe o charme dos grande vilões. O mesmo vale para o religioso representante da Opus Dei. Somente Silas, o monge albino, com sua mistura de selvageria, medo e culpa exala alguma humanidade. Mas Brown não é presunçoso. Quer aproveitar o momento, não se crê um grande escritor. O que é correto e honesto. Não há mal em ler e até mesmo gostar de “Inferno”. O maior dos males é não ler.
Fenômenos como este são normais na chamada “literatura popular”. “Inferno”substitui a “50 Tons de Cinza” outro livro a tratar de forma rasa um tema sério. Li apenas alguns trechos do primeiro volume em sites na internet. Bastou. Quem estiver interessado em ler sobre sadomasoquismo de verdade vai encontrar o tema desenvolvido por um grande escritor em “O Caso Morel”, de Rubem Fonseca.
As artes não vivem apenas dos grandes artistas. Editoras necessitam vender livros e escritores como Brown fornecem esta garantia. Mas sua maior qualidade é cativar leitores. Pessoas que normalmente não comprariam um livro são atraídas para o mundo da ficção por este tipo de escritor. Alguns serão fisgados para o mundo dos livros e uns poucos se aventurarão em universos mais verdadeiros. Pouco importa quantos. E mesmo que a maioria fique somente no “livro da moda”, terá valido a pena. Brown, se não evoluir em sua escrita, acabará cansando seus leitores e será substituído por outro “autor do momento” e engrossará a fila do “ex best-sellers”, que apesar de continuarem a vender livros, ficam distantes de seus dias de glória quando seus laçamentos cobriam as vitrines das livrarias.

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